Se as pedras da Rua Alberto Pinto Coelho, lá no alto do Bairro Santana, pudessem falar, elas teriam sotaque de saudade e o barulho de água corrente. Quem caminha hoje por entre o asfalto e o movimento das motos, talvez não imagine que, em 1964, o luxo não era o sinal de internet, mas o acesso a um simples chafariz.
Naquela Manhuaçu de sessenta anos atrás, o progresso ainda engatinhava. O documento guardado nos arquivos da Câmara, datado de março de 1964, é um retrato fiel de um tempo em que a dignidade vinha em baldes. O pedido era urgente e partiu de um homem que conhecia bem o chão que pisava: o então Vice-presidente da Casa, Sr. Silas Sanches de Souza. Em seu primeiro mandato, Silas já demonstrava a sensibilidade que o manteria como vereador por duas legislaturas.
O requerimento, aprovado sob a presidência do Sr. Jorge Sahid Chequer, solicitava um chafariz para os moradores das imediações do antigo Banco Hipotecário. O texto falava de "patrícios" que se sacrificavam para lavar roupas e buscar o sustento da sede. Era uma cidade que sentia as dores do crescimento, mas que, através de homens como Silas e Jorge, mostrava que o Poder Legislativo não poderia ficar alheio ao sofrimento do povo.
Hoje, Manhuaçu é outra. Onde se pedia um chafariz, hoje circulam ideias, negócios e a velocidade da modernidade. O Bairro Santana cresceu, as casas subiram as encostas e a cidade se tornou o polo regional que nos orgulha. Mas, ao olharmos para esse papel amarelado, percebemos que a essência da nossa gente permanece a mesma: a luta pelo que é justo.
A analogia é clara: ontem a urgência era a água no chafariz; hoje, nossas demandas são digitais, velozes e complexas. No entanto, o "sacrifício" mencionado em 1964 ainda é o mesmo combustível do trabalhador que acorda cedo em nossas montanhas. Mudaram-se os nomes nas cadeiras da Câmara, mas o compromisso com o próximo deve ser sempre o nosso alicerce.
Olhar para esse registro não é apenas visitar o passado, é entender que a cidade é um organismo vivo. Manhuaçu é como um café que acaba de ser coado: tem o aroma da tradição, mas a energia necessária para despertar para o futuro. Que nunca nos esqueçamos de que, para termos o conforto de hoje, homens como Silas Sanches de Souza tiveram a coragem de lutar por um chafariz ontem.
O tempo passou, a água correu, mas o compromisso com a nossa gente continua sendo a nossa missão mais sagrada.
Prof. João Paulo de Souza Andrade
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