Médico, vereador, chefe do Executivo municipal e liderança política de destaque na história de Manhuaçu (MG)
1. Família e Origem
Cordovil Pinto Coelho nasceu em 1885, na cidade de Porto de Santo Antônio, atual Astolfo Dutra, em Minas Gerais. Era casado com Maria de Lucca Pinto Coelho, professora de renome e posteriormente homenageada com a denominação da Escola Estadual Maria de Lucca Pinto Coelho.
Dr. Cordovil integrou tradicional família mineira vinculada à vida pública. É tio-avô do ex-governador de Minas Gerais Alberto Pinto Coelho (2014) e irmão do também ex-prefeito de Manhuaçu, Alberto Pinto Coelho, que governou o município entre 1919 e 1922.
2. Formação e Início da Carreira Médica
Formou-se médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1910, distinguindo-se com a tese “Soro e Diagnóstico da Gravidez”, traduzida para o francês, espanhol, alemão e japonês devido à originalidade científica.
Exerceu a medicina em São João Nepomuceno, Barra Mansa e Viçosa, transferindo-se para Manhuaçu em 1916, a convite das autoridades locais, para atuar no combate a um grave surto de paratifo. Entre suas medidas sanitárias mais notáveis constou a proibição da criação de suínos no perímetro urbano, o que contribuiu para a contenção da epidemia.
Atuou no Hospital de Manhuaçu, atual Hospital César Leite, e foi médico-chefe da Cooperativa dos Rodoviários de Realeza.
3. Trajetória Política
3.1 Ingresso e Mandatos
Dr. Cordovil iniciou sua vida política em 1919, assumindo mandato como vereador na Legislatura 1918 - 1922. Foi Presidente da Câmara Municipal e Agente Executivo (função equivalente à de prefeito) em dois períodos:
1923–1926
1931–1934
Também exerceu quatro mandatos como deputado estadual pelo Partido Republicano Mineiro (PRM), com forte atuação em defesa da Revolução de 1930.
3.2 Disputa Política e Repercussão Histórica
A década de 1920 em Manhuaçu ficou marcada pela polarização entre os grupos:
Cordovelistas, liderados por Dr. Cordovil;
Alcinistas, liderados por Alcino de Paula Salazar.
Ambos representavam correntes políticas robustas que moldaram a chamada “Década de Ouro de Manhuaçu” (1925–1935). Confrontos políticos renderam episódios emblemáticos, como a controvérsia envolvendo a participação da Banda Santa Cecília na inauguração do Grupo Escolar em 1925, solucionada com o envio da Banda dos Fuzileiros Navais por determinação do presidente da República e amigo pessoal de Cordovil, Arthur Bernardes.
4. Realizações Administrativas
Durante seus governos, Dr. Cordovil promoveu mudanças estruturantes:
4.1 Educação
Criação de 16 escolas municipais.
Construção do prédio onde funciona hoje a Escola Estadual Monsenhor Gonzalez.
Apoio decisivo à formação da instituição precursora da Escola Normal Oficial, posteriormente denominada Escola Estadual Maria de Lucca Pinto Coelho, em homenagem à sua esposa.
4.2 Infraestrutura Urbana
Ampliação dos sistemas de água e esgoto.
Construção da Ponte dos Arcos, inicialmente chamada “Ponte de Cimento”, um dos primeiros exemplares brasileiros de ponte em arcos sem pilares, erguida com tecnologia alemã e inglesa.
Urbanização e calçamento da então Praça Arthur Bernardes, que mais tarde recebeu seu nome.
4.3 Desenvolvimento Rural
Abertura de 140 km de estradas rurais, com destaque para a melhoria da via Manhuaçu–Realeza, cujo traçado corresponde, em grande parte, ao da futura BR-262.
4.4 Reforma Política
Instituiu a Lei nº 131/1926, que modernizou o Regimento Interno da Câmara Municipal, estruturando comissões permanentes e estabelecendo regras para eleição da Mesa Diretora, contribuindo para profissionalizar a política local.
5. Legado e Homenagens
Pela relevância histórica, seu nome foi atribuído a importantes equipamentos públicos e espaços urbanos de Manhuaçu:
Ponte Dr. Cordovil Pinto Coelho (Ponte dos Arcos), tombada como patrimônio histórico municipal.
Praça Dr. Cordovil, no Centro, um dos logradouros mais emblemáticos da cidade.
Escola Estadual Maria de Lucca Pinto Coelho, homenagem à esposa e marco educacional regional.
Sua participação ativa em jornais locais: Cidade de Manhuassú, O Manhuassú e O Democrata, reforça seu papel como formador de opinião e agente de modernização.
6. Falecimento
Dr. Cordovil Pinto Coelho faleceu em 1952, deixando legado político, administrativo e intelectual que marcou profundamente o desenvolvimento urbano, educacional e institucional de Manhuaçu.
Ronnie Cord: Neto de Cordovil Pinto Coelho
Ronnie Cord, nome artístico de Ronald Cordovil, nasceu em 22 de janeiro de 1943 em Manhuaçu (MG). Ele era neto de Cordovil Pinto Coelho, por meio de seu pai, Hervê Cordovil, compositor e maestro, filho de Cordovil.
Iniciou sua carreira em 1960, aos 17 anos, com gravações que misturavam influências internacionais e adaptações para o português.
Seu primeiro sucesso significativo ocorreu com a música “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polkadot Bikini”, que lhe valeu o prestigiado Troféu Chico Viola por permanecer seis meses no topo das paradas de sucesso.
Em 1963/1964, lançou seu maior êxito: “Rua Augusta”, composição do pai Hervê Cordovil, gravada pela gravadora RCA Victor. A música é considerada um marco do rock brasileiro e, em 2009, foi eleita uma das 100 maiores músicas brasileiras pela revista especializada Rolling Stone Brasil.
Também fez sucesso com a versão em português da canção “Itsy Bitsy...”, intitulada “Biquíni de Bolinha Amarelinha”, aproveitando a onda da juventude e do rock no Brasil nos anos 1960.
Participou de conjuntos musicais com seus irmãos (como os grupos The Cords / Os Cords), e foi presença no cenário da nascente música jovem e popular na época.
Sua carreira artística declinou no início dos anos 1970; passou a se apresentar apenas ocasionalmente em eventos comemorativos.
Ronnie Cord faleceu em 6 de janeiro de 1986, em São Paulo, com 42 anos, deixando três filhos.
Como um dos primeiros nomes da música jovem e do rock brasileiro, Ronnie Cord trouxe visibilidade nacional à família, prolongando a influência de seus antepassados mineiros no campo da cultura e do entretenimento. Suas canções, especialmente “Rua Augusta” e “Biquíni de Bolinha Amarelinha”, permanecem como marcos da história da música popular no Brasil.

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