PROFESSOR JUVENTINO FERREIRA NUNES
Professor Juventino Ferreira Nunes, nasceu em Itamarandiba no dia 16 de novembro de 1884, filho de Américo Ferreira Nunes e Maria Fernandes Souza Nunes. Ficou órfão aos 7 anos de idade, sendo criado e educado pelos avós maternos. Concluiu o curso primário em Itamarandiba e os cursos Ginasial e de Magistério em Diamantina.
Diplomado, começou a lecionar no Grupo Escolar, onde recebia vencimento irrisório e minguado, que não dava para cobrir as despesas mensais.
Devido às dificuldades, o prof. Juventino abriu uma pequena farmácia que lhe proporcionou lucros e melhores condições de vida. Casou-se com Maria Soares, moça prendada e alegre, filha de Antônio Soares e Francisca Romana Bicalho. Seus filhos: Maria Batista, Maria Vicentina, Maria da Mercês, Maria da Trindade, Maria Stael, Maria do Carmo, Salvio, Ciro, Celso.
Prof. Juventino Nunes foi nomeado Diretor de um dos Grupos Escolares de Salinas (MG), sabendo que nesta cidade ocorriam disputas políticas e ataques violentos, não se intimidou e tomou posse do cargo.
Instalando com ele sua família em uma casa ampla e confortável, na Praça Principal da cidade denominada João Pessoa (homenagem dos Salinenses ao bravo Presidente da Paraíba assassinado em 1930). Sua família com pouco tempo adaptou-se com o povo daquela região, contribuindo até para o congraçamento fraterno os animados bailes, festas e reuniões sociais que aconteciam quase sempre em sua residência, prof. Juventino sempre foi uma pessoa dinâmica, às vezes quando comparecia em bailes ele até tocava violão e flauta e também cantava.
Foi uma época muito difícil para ele e sua família em Salinas, mas sempre mantinham-se discretos às divergências entre os politiqueiros, por haver naquela ocasião grandes disputas entre os partidos políticos.
Com o passar do tempo, prof. Juventino foi obrigado a mudar de Salinas para Belo Horizonte, por motivos de política, inveja e até mesmo tentativa de morte.
Depois de consultar a família e ouvir amigos, Juventino adquiriu com algumas economias e empréstimo bancário, o prédio e os direitos educacionais do Ginásio Evangélico, fundado pelo Reverendo José Martins de Almeida Leitão e que havia deixado de funcionar por falta de recursos.
Surgiu então o Instituto Ginasial e Comercial de Manhuaçu, reconhecido pelo Decreto nº 20.158/32.
Com uma divulgação inteligente, ampla e bem conduzida o novo educandário chegou a matricular em pouco tempo cerca de quinhentos alunos, em regime de externato e internato.
Ele era um pai muito correto, de voz firme e sempre que precisava chamar a atenção de seus filhos era sempre na base do diálogo e o castigo era a leitura.
Nessa luta do dia-a-dia, sua esposa D. Maria Soares, conhecida como D. Zinha, desenvolvia, desde cedo várias tarefas: dava ordens, distribuía múltiplas atividades, fazia compras, fiscalizava a alimentação servida aos alunos do internato, etc.
No dia 4 de agosto de 1937, D. Zinha, a esposa virtuosa, inspiradora e confidente de dezenas de anos, acometida, inesperadamente, por fulminante distúrbio cardiovascular, passou a viver em outra dimensão, deixando em prantos os seus familiares e de luto a coletividade manhuaçuense.
Com a morte súbita de sua esposa, Juventino tentou conformar-se, mas em vão, o golpe desferido pela fatalidade tinha sido forte demais e deveria deixar consequências imprevisíveis.
Com o passar do tempo, foi agravando o estado de saúde do Prof. Juventino, vindo a falecer no dia 03/11/1938 aos 54 anos.
Depois de cinco anos, os despojos de Maria Soares e Juventino Nunes foram traslados para a Quadra 31, do Cemitério do Bonfim em Belo Horizonte.
Fonte:
_MANHUAÇU DE ONTEM E SEMPRE; Márcia Reguete de Barros, Adeuslyra Corsetti e D. Ilza Campos Sad. Câmara M. de Manhuaçu/ Presidente Glauco Nascimento de Macedo, 1995.
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