Padre
Fortunato de Souza Carvalho foi o segundo Chefe do Executivo Municipal de Manhuaçu e Presidente da Câmara Municipal. Governou entre
1884-1888. Ele também foi o primeiro pároco do município.
‘Natural de Ouro Preto, ele ordenou-se no Seminário de Mariana. Passou por catequeses nas quais permaneceu por pouco tempo. Fixou residência em Manhuaçu, assumindo a direção da Paróquia de São Lourenço, onde lutou ao lado de Francisco de Paula Santos pela transferência da sede do município para São Lourenço do Manhuassu’ (MIRANDA, 1977).
Alguns
anos antes de se tornar Chefe do Executivo Municipal, Padre Fortunato e seu
antecessor na Prefeitura, Joaquim Gonçalves Dutra (o 1º prefeito) atuaram
juntos, com o apoio de outros moradores para estabelecer em Manhuaçu a sede
do município, em vez de São Simão (atual Simonésia), como foi determinado em
1877, ano de emancipação. O movimento prosseguiu até 1880, quando foi realizada
a primeira eleição municipal, que confirmou Joaquim Gonçalves Dutra como o primeiro
Prefeito, consolidando Manhuaçu como a sede do município.
Neste período, a Província de Minas Gerais foi presidida por Antônio Gonçalves Chaves (1884), Olegário Herculano (1885) - ambos do Partido Liberal-; Manuel Portella (1886), Francisco Lemos (1886/1887), Carlos Augusto Figueiredo (1887), Luiz Eugênio Horta e Antônio Gonçalves Ferreira (1888) - ambos do Partido Conservador.‘Em sua gestão, Padre Fortunato se posicionou também como um Alvinista (seguidor de Cesário Alvin). Ele enfrentou algumas barreiras para fazer uma administração semelhante à anterior, devido às intrigas políticas de uma sociedade ainda em formação’ (MIRANDA, 1977).
O período representava também os últimos anos do Brasil Império, regido por Dom Pedro II até o ano de 1889, quando foi proclamada a República.
Trabalho na Igreja
Nomeado vigário em 01 de fevereiro de 1878, Padre Fortunato foi o primeiro a atuar na recém criada Paróquia de São Lourenço, desmembrada da Paróquia de Santa Margarida oficialmente em 15/02/1878.
'Aos 15 de fevereiro de 1878, o Exmo. Dom Antônio Maria Correa de Sá e Benevides, Bispo Diocesano, institui canonicamente a Freguesia (paróquia) de São Lourenço do Manhuaçu, com os mesmos limites do distrito civil, tendo sido desmembrada de Santa Margarida, e por provisão dessa mesma data, constituiu vigário encomendado dela o Revmo. Padre Fortunato de Souza Carvalho'³.
Em 1891, três anos após o trabalho como gestor do município, Padre Fortunato de Carvalho, em seu ofício religioso, foi designado como um dos delegados paroquianos para a freguesia de São Simão (Simonésia). Pois, naquele ano (18/09/1891), o então primeiro vigário Horácio Renthis faleceu, deixando vaga a paróquia.
Padre Fortunato, respondeu pela Paróquia da Freguesia de São Simão, juntamente com os demais religiosos: Odorico Dolabela (que, em 1895, se tornaria o 5º Prefeito de Manhuassu), Sócrates, Colário e José Fluente.
Essa atuação em São Simão prosseguiu por três anos, até 1894, quando assumiu a referida paróquia o Padre Marciano Alves Pereira².
Homenagens
O saudoso Padre Prefeito é homenageado na cidade com a denominação do logradouro que interliga as Ruas Antônio Wellerson e Faustino Amâncio, no entorno do Estádio Municipal JK, no B. Santo Antônio.
A Resolução foi aprovada pela Câmara Municipal no ano de 1957. Antes o logradouro denominava-se Rua Manoel do Carmo.
Leia também, o Manifesto do Padre Fortunato:
Manifesto do Padre Fortunato de Souza Carvalho a Assembleia Legislativa
São Lourenço do Manhuassu
Esta Fluorescente povoação, q teve começo no ano de 1869, está situada no fertilíssimo vale do Manhuassu ocupando um patrimônio de cento e vinte alqueires.
Em 1871 foi criado o distrito policial; em 1874 foi elevado a distrito de Paz; em 1876 a categoria de freguesia e ultimamente a sede da comarca Eclesiástica. Com esta medida de criação de Freguesia aí fez se desenvolver espantosamente o comercio e lavoura, especialmente de café e fumo, além de todas os ramos de cultura, notando-se que a do café para a qual os terrenos e clima são por assim dizer, especiais tem subido a uma escala bastante lisangeira já chegando a exportar daquele gênero perto de trinta mil arroubas, e deste trinta mil arroubas, cuja exportação faz entrar para os cofres públicos não pequenas somas.
Com o rápido desenvolvimento do comercio começaram a fluir para ali famílias de todas as partes da província, atraídas tanto pela uberdade dos terrenos, como pela salubridade do clima: infelizmente porém, assim como afluía cidadãos pacíficos, que procuravam um futuro para suas famílias, concorreram também aceleradas assassinas, que perseguidas pela ação da justiça dos lugares que foram teatro das suas atrocidades e que não tendo ali guaridas, para aqui se refugiaram, bem certos de que a ação da justiça e lei nestes lugares eram efêmeras, não só pela falta de força moral das autoridades locais como pela grande distancia da sede do termo = Ponte Nova = onde a noticia de suas atrocidades sempre chegava adulterada, ou pintada com cores diversas de que eram na realidade, a que dês causa aqui nestes infelizes lugares todas as questões se decidissem pelo tribunal do bacamarte (arma de fogo), de cuja asserção é uma prova autêntica, além de outros muitas tristes cenas que aí se deram no ano de 1877 cuja noticia chegou a todas as pontas não só da província, como mesmo de outras limítrofes.
Cansados os habitantes desta freguesia de suportar este estado de coisas, resolveram a representar a Assembleia provincial em sua sessão de 1877 fazendo ver a necessidade indeclinável de criar um município n’estas matas com sua sede nesta Freguesia, não só por ser uma das mais adiantadas em comercio e lavoura, como e muito principalmente por ficar no centro das mais freguesias, que lhe ficarão pertencendo, sem prejuízo do Município da Ponte Nova.
Foi discutida esta pretensão na Assembleia Provincial e reconhecida sua vantagem e quando os signatários daquela representação esperavam a sanção da lei ficaram surpreendidos de verem dado como sede do município o distrito de São Simão, o qual não só não pretendia semelhante medida como não se acha em circunstancia de poder ali desenvolver os requisitos necessários a instalação da vila.
Convictos porém os habitantes desta freguesia de que a Assembleia Provincial não deixaria de reformar aquela resolução, não hesitarão um momento em promover a construção da casa da Câmara, Cadeia e Casa de Instrução como de fato construíram, já estando esta última se prestando.
Acontece porém que depois de gastarem não pequena soma com a construção desses prédios, os habitantes de Santa Margarida compreendendo do bem que a sede do município não pode ficar em são Simão pelas razões acima expendidas empenharam-se com todas as forças para obter para ali a sede, o que não só é inconveniente as comodidades dos habitantes do novo município, como porque é um lugar impróprio e muito apertado, não podendo pelo menos oferecer um lugar para uma praça, nem lugares para novas construções, visto ter mais ou menos seis alqueires de patrimônio; o que não acontece a esta freguesia, que além de um belo local muito e muito abastecido de água potável tem com já disse um patrimônio de 750 braças em quadro, além de ficar no centro do município pedido como se prova mais ou menos pelo quadro seguinte.
Padre Fortunato de Souza Carvalho
presidente do diretório liberal do município.
Transcrito por José Geraldo Baía
Fonte: Arquivo publico Mineiro.
http://regiaodemanhuacu.blogspot.com/2017/11/manifesto-do-padre-fortunato-de-souza.html
Nossos agradecimentos ao jornalista Sebastião Fernandes, Presidente do COMTUR/Manhuaçu e acadêmico da AML, pela disponibilidade de foto rara.
(Pesquisa e redação: Thomaz Júnior)
Saiba mais sobre a História de Manhuaçu, acessando cidadesdocafe.com
Fontes:
¹MIRANDA, Roberto de Assis, Histórico de Manhuaçu, Manhuaçu: Datilografado, 1977, p. 33, Apud SANTOS, Flávio Mateus dos, A República do Silêncio, 2009, 1ª ed., p. 129.
²ABREU, José Miguel de. Simonésia: Minha Terra e Minha Gente, 2ª ed., 1999, p. 12;
³Jornal São Lourenço, ed. 21/set./1928, n 75, ano IX apud ed. 10/fev./2007.
Nossos agradecimentos ao jornalista Sebastião Fernandes, Presidente do COMTUR/Manhuaçu e acadêmico da AML, pela disponibilidade de foto rara.
(Pesquisa e redação: Thomaz Júnior)
Saiba mais sobre a História de Manhuaçu, acessando cidadesdocafe.com
¹MIRANDA, Roberto de Assis, Histórico de Manhuaçu, Manhuaçu: Datilografado, 1977, p. 33, Apud SANTOS, Flávio Mateus dos, A República do Silêncio, 2009, 1ª ed., p. 129.
²ABREU, José Miguel de. Simonésia: Minha Terra e Minha Gente, 2ª ed., 1999, p. 12;
³Jornal São Lourenço, ed. 21/set./1928, n 75, ano IX apud ed. 10/fev./2007.



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